quarta-feira, 6 de abril de 2016

O que é terapia larval?


  A terapia larval, ou bioterapia, é um método de debridamento que se utiliza da ação de larvas sobre o tecido. Mas o que é debridamento? É simplesmente a remoção do tecido morto e indesejado de uma ferida. Há várias formas de fazê-lo, mas as larvas em questão fazem um trabalho muito melhor!
   E a terapia não acaba por aí, pois elas também aceleram a cura das feridas e protegem o tecido exposto de infecções, isso sem nem causar cócegas. A maioria dos pacientes relata que sequer sente as larvas no local.


  É uma terapia alternativa, mas que possui todo o potencial para ganhar o espaço que merece. Leia mais logo abaixo e veja como ela pode ser sua melhor escolha!

Pra que servem esses bichinhos?

   Essas larvas são capazes de amolecer o tecido que está morto na lesão e removê-lo graças a enzimas que elas produzem para se alimentar, no mesmo fluido também encontramos análogos de antibióticos, que impedem o crescimento de bactérias perigosas!


   Elas também acabam liberando fatores que irão acelerar o crescimento e cicatrização da ferida, melhorando a resposta de células chamadas macrófagos e fazendo com que os fibroblastos, as células que produzem fibras para a cicatriz, trabalhem melhor.


   Ou seja, esses bichinhos incríveis limpam, arrumam, protegem e ainda ajudam nosso corpo a cuidar da ferida, e tudo isso enquanto elas enchem a pança!

Quais os benefícios dessa terapia?

   As larvas usadas na terapia larval são necrobiontófagas , isso significa que elas se alimentam de tecido morto e rejeitam tecido vivo, o que faz com que elas façam uma espécie de "microcirurgia", já que o debridamento feito por elas é mais preciso e minuncioso do que o que é feito por um profissional numa cirurgia convencional. Desse modo, o debridamento feito pelas larvas podem oferecer um resultado ainda melhor do que o do procedimento cirúrgico!
   Dentre as formas de tratamento possível essa é geralmente a que oferece melhor relação custo-benefício, chegando a ser até 7 vezes mais barata do que as demais formas!

Como é feita essa terapia?

É um processo muito simples e fácil de entender, veja só:
  • O profissional posiciona sobre a ferida uma folha transparente ou um pedaço de plástico estéril, sobre esse material é traçado o formato da borda da ferida, que será usado como molde
  • O profissional corta um curativo no formato da ferida e, em seguida, o aplica sobre a pele limpa e seca, esse curativo protege a pele do paciente que permite que outros componentes sejam aderidos a ele

  • São inseridos no tecido necrosado o número de larvas estéreis suficientes para debridar a ferida
  • As larvas são cobertas por um pedaço de tecido de nylon estéril e este tecido é fixado sobre o curativo por uma fita adesiva, o nylon permite que as larvas respirem e que o exsudato (líquido da ferida) seja absorvido 
  • O curativo será trocado de acordo com a idade da larva que foi aplicada,retiram-se as larvas da ferida lavando a lesão com jato de soro fisiológico estéril e, quando necessário, são removidas facilmente com pinça e repete-se todo o processo

Um pouquinho de história...

   Há séculos que o debridamento de feridas infectadas com larvas de moscas de certas espécies é observado, tendo registros até de civilizações aborígenes da Austrália e da civilização Maia na América Central.
   No século XVI (o mesmo em que o Brasil foi descoberto), um renomado médico-cirurgião francês observou em períodos de guerra que soldados que tinham suas feridas infestadas por larvas de mosca cicatrizam melhor do que os que não tinham infestações em suas feridas.


   Já no século XIX, um general-médico do exército de Napoleão Bonaparte relatou que os soldados que tratava com feridas infestadas por larvas tinham menor chances de sofrerem uma infecção e chegavam à cura mais rápido que os outros.
   A terapia larval foi introduzida na medicina moderna em 1931 nos Estados Unidos e chegou a ser usada em mais de 300 hospitais nas décadas de 1930 e 1940, quando diminui-se o uso pelo surgimento de antibióticos e técnicas modernas de debridação. No entanto, a terapia larval com larvas estéreis foi retomada nos Estados Unidos na década de 1990, sendo reconhecida como uma técnica poderosa no debridamento e cicatrização de feridas.